NOSSA HISTÓRIA

Sobre a congregação


“Aos apelos de um povo nasce uma Congregação …”

Quando Deus chama, não dá para resistir. Seu chamado é exigente e o passo seguinte – a resposta – é sempre no desconhecido. Vendo a realidade brasileira, Madre Gertrudes sente o seu coração comover-se.

Qual foi a aspiração primeira de Madre Gertrudes? A JUVENTUDE.

Há uma grande preocupação de Madre Gertrudes com a educação e formação da juventude.

Para responder aos apelos de Deus, passa por várias Congregações; mas nenhuma responde a seus ideais.

No final de junho de 1927, chega a Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, em companhia da noviça Irmã Josefina do Sagrado Coração de Jesus.

Com certeza Madre Gertrudes, em seu peregrinar, lembra das palavras do Padre Lavignani: “Filha, estudei bem seu caso e acho que o Sagrado Coração de Jesus quer mesmo da senhora alguma coisa. Sim, minha filha, a senhora fundará uma Congregação a qual será do agrado de nosso Senhor, se espalhará em todo o Brasil e talvez pelo mundo todo. (… ) O lugar onde a senhora fará a sua fundação não será em São Paulo, mas num outro lugar bem mais longe. (…) Coragem! E sempre avante!”

Aos poucos, Irmã Gertrudes vai percebendo que está numa terra hospitaleira Município de Cachoeiro de Itapemirim, beirando 66.000 habitantes, administrado pelo então Prefeito, Francisco Alves de Athayde; um importante centro comercial e ferroviário, algumas indústrias, uma rede de hotéis, cinema e teatro; no interior cresce a agro-pecuária; exporta-se café para a América do Norte e Europa. Tudo isso dá ao povo uma certa autonomia econômica. Porém, o povo sente falta de um colégio católico na cidade e apela para que irmã Gertrudes fique e dê inicio a uma escola que responda às necessidades educacionais de que tanto a população sentia falta.

A bela cidade cercada de lindas montanhas é o terreno propício para acolher os anseios e aspirações de Irmã Gertrudes. Após consultar a Igreja, conversando com Dom Benedito Paulo Alves de Souza, Bispo da Diocese do Espírito Santo, Irmã Gertrudes recebe o decreto que fala da construção de um Colégio e a fundação da nova Congregação. A chácara do senhor Chuquer é o lugar da nova fundação.

Em 10 de outubro de 1927, nasce a Congregação das “Irmãs de Cristo Rei”. Madre Gertrudes de São José funda a nova família religiosa com a ajuda de Irmã Josefina do Sagrado Coração.A graça de Deus fertiliza a Congregação. Impulsiona Madre Gertrudes a irradiá-la, atraindo jovens para formar a comunidade, sendo as primeiras: Helena Cardoso, Emília Fontes e Luiza Debona.

Madre Gertrudes, com 51 anos de idade, reconquista a vitalidade da jovem Martina Toloni e redobra suas energias, assumindo, ao mesmo tempo, as mais variadas funções: Fundadora e Superiora Geral, mestra de postulantes e noviças, orientadora da vida religiosa das irmãs, diretora técnico-administrativa da Escola que inicia suas atividades no dia 1º de fevereiro de 1928, e outros compromissos.

Em 16 de março de 1949, Dom Luiz Scortegagna – então bispo da diocese do Espírito Santo vai pessoalmente a Cachoeiro para levar os documentos pontifícios da Aprovação Diocesana para a Congregação, junto a mudança do nome de “Irmãs de Cristo Rei” para “Irmãs de Jesus na Eucaristia”, assim como as novas constituições aprovadas. Agora o sonho de Madre Gertrudes está completo: a Congregação se consolida; recebe as aprovações eclesiásticas; organiza-se internamente, dando início à emissão pública dos votos perpétuos, a começar pela Madre Gertrudes.

Quando Deus chama, não dá para resistir. Seu chamado é exigente e o passo seguinte – a resposta – é sempre no desconhecido. Vendo a realidade brasileira, Madre Gertrudes sente o seu coração comover-se.

FUNDADORAS

Gertrudes de São José

Fundadora da Congregação das Irmãs de Jesus na Eucaristia

Na pequena cidade de Chiuro - Província de Sôndrio - Itália, filha de Giovanni Baptista Toloni e Caterina Rodolfi, nasceu Martina Toloni, no dia 7 de agosto de 1876. Perdeu a mãe muito cedo, aos 5 anos de idade. Teve uma infância repleta de sofrimento e tribulações, mas também de estímulos para a santidade.

Deus já havia preparado seu futuro. Assim como a mãe cuida de seu filho, Deus cuidava carinhosamente de sua preciosa Martina. Até os 4 anos foi criada por uma ama, Catharina. Sua família era pobre, não tinha como cuidar da pequena menina, por isso seu pai a levou para um orfanato, na cidade de Como, das Irmãs Guanelianas, levando somente suas roupas.

Foi neste lugar que ela iniciou seus estudos, aprendeu o catecismo, a História Sagrada e sobretudo, a amar a Nosso Senhor. Adquiriu a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a Eucaristia e a Divina Providência. Vai para Milão concluir seus estudos e ai sentiu o chamado divino, o desejo de consagrar-se a Deus, ingressando na Congregação das Apóstolas do Sagrado Coração e recebeu o nome de Irmã Gertrudes. Passou por vários momentos difíceis, mas sempre confiou em Deus. Por caminhos tortuosos e difíceis, Deus conduziu Irmã Gertrudes para a missão em terras brasileiras. Em 1904 chegou ao Brasil como missionária entre os pobres, filhos de imigrantes italianos. Sempre procurou responder a este chamado através da oração, da vivência com as Irmãs - vida comunitária e na doação de sua vida aos mais pobres. Não lhe faltaram dificuldades, sofrimentos e desafios a serem vencidos.

Irmã Gertrudes mulher de olhos sempre abertos à realidade, onde busca encontrar a presença de Deus. É alguém capaz de vislumbrar, à distância, a possibilidade de concretizar seus ideais, mesmo quando o mundo inteiro parece estar contra ela. São muitos os momentos de provação pelos quais passa até poder situar-se na vontade do Pai.

As suas experiências de vida religiosa nos diversos Institutos por onde passou, evidenciam o desassossego de uma alma que quer encontrar o melhor lugar para servir a Deus e aos pobres. Acalenta o sonho de criar algo novo, de fundar uma Congregação mais encarnada na realidade brasileira. Nunca perdeu a coragem e a confiança em Deus. Sua obra começa a surgir quando ela se encontra numa situação de abandono e desamparo.

No seu processo de constante discernimento, experimenta a voz inquieta de Deus para fundar, no interior do Brasil, uma Congregação aberta para acolher as jovens, sem distinção de classe social, de raça e instrução, e dedicada à evangelização, sobretudo, onde não houvesse sacerdote.

``Minha causa é a causa do pobre, do enfermo e da juventude deste querido Brasil que tanto amo``

Sua história assemelha-se ao grão de trigo que, caído na terra, precisa morrer para das frutos. Assim, aos 07 dias de agosto de 1962, em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, Madre Gertrudes nasce para a vida eterna, às 18h e 30min.

O desejo de Madre Gertrudes de ser sepultada na Casa-Mãe realiza-se em 12 de junho de 1969, quando seus restos mortais são trasladados numa pequena urna, do cemitério da Cidade para um monumento erguido em sua honra no pátio do Colégio Jesus Cristo Rei.

A causa de Madre Gertrudes passa a ser também a causa de tantas pessoas que buscam viver seu projeto de vida.

Irmã Josefina do Sagrado Coração

Co-fundadora da Congregação

Companheira de Madre Gertrudes desde o início da Congregação em 1927, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, foi quem primeiro captou o espírito e os ideais de é que animavam a Fundadora. Em seu diário pessoal, encontramos expressões de profunda intimidade com Deus; fala de seus sofrimentos assumidos numa linha de redenção, como vontade de Deus; humildade e confiança na Providência e na misericórdia divina; considera a enfermidade que a prende no leito como tábua de salvação, caminho para o céu e ponto de santidade, fazendo de sua enfermidade a síntese da ida sofrida e angustiada, mas tranqüila e alegre. Palavras textuais: “Creio piamente que Deus, querendo me reservar coisa melhor, me reduziu a zero. Dou graças a Deus”. “O sofrimento nos desafeiçoa das coisas da terra e nos eleva o coração e a mente ao céu”. Pede frequentemente a Jesus que a aceite como vítima a ser sacrificada como Hóstia em holocausto pela santificação dos sacerdotes, conversão dos pecadores e triunfo dos mártires pela fé.

Nasceu na Serra-ES, em 22 de janeiro de 1888. Filha de Alexandre R.P. Cardoso e Maria R. Cardoso. Seus avós maternos: André Coutinho e Isabel Coutinho. Ela própria foi a declarante de seus dados e serviram de testemunho: Zilma Campos e Camilo Brandão da Silva e na observação: Registro feito pelo decreto – lei 765 de 14/07/1949 em Olinda, distrito do Município de Nilópolis-RJ a 23/01/1973.

Outro documento existente é a certidão de óbito: faleceu a 08/12/1973 de Pielonefrite – insuficiência cardíaca, segundo a Irmã Glória Maria (Victória Caliman) acordou dizendo ter dormido bem e às 9 horas já partira em nossa residência, ligada ao Hospital Espanhol.

O médico que atesta: Dr. Alvino Carneiro Lima. Foi sepultada no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Integrou as comunidades da Casa Mãe de Cachoeiro de Itapemrim de 28/01/1927 a 1935 e de 1952 a 1953; Orfanato Cristo Rei – Vitória – 1935 a 1937 e 1954 a 1955; Miracema–RJ – 1937 a 1938; Bom Jesus de Itabapoana-ES – de 1938 a 1946; São José de Bicas-MG (alguns meses); Campos por 1 ano; Marilândia-ES – por mais um ano; Hospital Central dos Acidentados – RJ – 2 anos e Hospital Espanhol por mais 1 ano.

De 1946 a 1952 ficou em Belo Horizonte em tratamento de saúde. De sua ficha congregacional pudemos extrair além das transferências, os seguintes dados: tem o curso primário até a 4ª série(hoje Fundamental); seu padrinho de batismo, acontecido na Serra é Dr. Afonso Cláudio de Freitas Rosa e a madrinha Carolina do Sacramento.

Seu ingresso 10/10/1927 com a oficialização da fundação. Inicia o noviciado a 20/11/1928 (Serva de Maria do Brasil em janeiro de 1925), 1ª Profissão 01/01/1930; Profissão Perpétua 24/06/1934 e a renovação com a “Sanatio” em 24/07/1949.

Nos Dados Biográficos (DB) página 37, os votos perpétuos aconteceram em 26 mas não a menciona na tomada de hábito. Aqui possivelmente, com a fundadora iam definindo modelos e o fizeram sem ritual algum. E o noviciado? Ela apenas acabava de receber o hábito, nas Servas, logo, não a formação.

Todas as descrições dos fatos no relato da Autobiografia, consta na 2ª pessoa do plural, dando a entender que eram as duas que estavam sempre juntas.

Ela então, fez suas etapas de formação nesta Congregação, na luta e na convivência com o imprevisto, o improviso, o “corre-corre” e chega assim aos votos. As duas Congregações nascentes. Procede então o depoimento do ciúme de ver Irmã Elizabeth da Santíssima Trindade (Emília Fontes), Irmã Adelaide de São Norberto (Maria Rabelo Guimarães) irem tomando seu lugar junto à Fundadora. Pois a sustentação da Vida Religiosa, ficou sem as bases, até para ajudar.

Como deve ter sofrido nossa Josefina! Mas a Providência fez dela um norte para acontecer a profecia de Lavignani descrita nas páginas 18 e 19 dos Dados Biográficos como relemos nas páginas 51 e 52 no livro Morte de Um Grão Certeza de Vida. A Congregação sem nome que começa no Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Cristo Rei e de Jesus na Eucaristia, venera-a por ser guia até à nossa Terra Prometida – Cachoeiro de Itapemirim-ES. Cf. Morte de Um Grão página 49 e D.B. página 23.

CARISMA

Ser Irmã de Jesus na Eucaristia é seguir o carisma de Madre Gertrudes de São Jose: manifestar ao mundo a Compaixão do Pai Providente, revelada em Jesus, no seu gesto de alimentar a multidão faminta e desamparada. (Mc 6, 30-44) No mandato de Jesus : Dai-lhes vós mesmos de comer, convoca cada seguidora deste carisma, a expressar a compaixão e a misericórdia, valores tão bem experenciado pela fundadora.

Vivemos em comunidade no meio do povo, para ser no meio dele, uma presença de mulher que busca viver a:

  • Generosidade
  • Partilha
  • Serviço fraterno
  • Perdão
  • Despojamento
  • Entrega da vida
  • Lava- pés
  • Alegria
  • Sacrifício

De maneira: alegre, solidária, acolhedora, compassiva e simples, assumindo o seu ser missionária nas diversas pastorais, movimentos, associações, nos colégios, hospitais, obras sociais e educação popular.


ESPIRITUALIDADE

No compromisso de viver a comunhão com Deus, com a Igreja e com a comunidade Humana as Irmãs de Jesus na Eucaristia fazem do mistério Eucarístico o ponto vital de sua espiritualidade.

Para maior interiorização da palavra de Deus e dos atos litúrgicos, cada irmã deve reservar, no mínimo, uma hora de oração pessoal além da oração comunitária que acontece todos os dias e em todas as comunidades.

Visando um crescimento na fé, é responsabilidade de cada irmã exercitar-se no cultivo pessoal da espiritualidade e na contemplação do mistério de Deus, aprendendo do Coração Eucarístico de Jesus a conhecer e a relacionar-se em profundidade com o pai e com os irmãos.

A Virgem Imaculada, padroeira da Congregação, será para a irmã de Jesus na Eucaristia modelo de vivencia eucarística, a fim de testemunhar a encarnação do Verbo no mundo.